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Alerta de terremoto deixa em pânico cidades turísticas do litoral norte de São Paulo
REGINALDO PUPO |
@reginaldo_pupo
Por volta das 2h15 da madrugada desta sexta-feira (14), milhares de pessoas em diversas cidades dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro receberam alerta de um suposto terremoto, que gerou pânico e preocupação em que teve acesso à mensagem. Várias pessoas relataram que receberam o alerta por meio de seus smartphones, especificamente do sistema operacional Android, que possui um serviço de alerta próprio, via Google.
A mensagem, no entanto, trazia informações desencontradas e não trazia uma fonte ou autoria confiável, como o governo estadual, por exemplo. De acordo com o alerta, o “epicentro” seria no mar, a 75km do município de Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. A magnitude “prevista” seria de 5,5, sem informar se seria na escala Richter.

Em outro alerta, as informações eram diferentes. O terremoto seria de magnitude menor, 4,4, mais próximo de Ubatuba, a 55km de distância. Há relatos de que outro alerta informava que a Baixada Santista, sem mencionar quais seriam as cidades, teria terremoto de magnitude 5.5.
Pânico na rede
Muitas pessoas se assustaram ainda mais quando viram o mesmo alerta ao pesquisar no Google. Milhares de internautas correram para as redes sociais durante a madrugada para saber se seus amigos ou familiares haviam recebido o alerta. E a maioria havia respondido positivamente. Algumas receberam a mensagem ao menos três vezes e demonstravam pânico.
De acordo com relatos nas redes sociais, no estado de São Paulo, o aviso foi recebido, entre outras cidades, em Guarulhos, Caraguatatuba, São Sebastião, Peruíbe, São Paulo, São Bernardo do Campo, Lorena, Taubaté, Jacareí, Suzano e São José dos Campos. No estado do Rio, moradores de Resende disseram que também receberam o alerta.
Alguns dos alertas do sistema Android traziam mensagens sobre como proceder em caso de confirmação do terremoto, como “usar sapatos mesmo para mudar de cômodo na casa”, “feche o gás”, “vá para uma região elevada”, “verifique a fiação e tubulação da casa”, entre outras “recomendação”, além de mensagens curiosas como “limpe remédios e outros materiais perigosos que podem ter sido derramados (sic)”.

Ataque hacker ou falha
A reportagem apurou que o USGS, sigla em inglês para Serviço Geológico dos Estados Unidos, o ESMC sigla para Centro Sismológico Euro-Mediterrânico, além de outros institutos mundialmente conhecidos, não registraram nenhum terremoto no Brasil. Também não há registros no Observatório Sismológico da UnB (Universidade de Brasília). No site do Centro de Sismologia da USP (Universidade de São Paulo) também não havia nenhuma informação sobre terremotos na região.
A Defesa Civil do Estado de São Paulo apura, durante esta madrugada, juntamente com o Centro de Sismologia, se há confirmação do sinistro. O órgão informou, em suas redes sociais, que o alerta não partiu de seu Centro de Gerenciamento de Emergências e que pode ter sido emitido por algum serviço exclusivo da plataforma Google.

A reportagem também consultou o painel global, uma plataforma que monitora ocorrências de terremotos em todo o planeta, em tempo real, e nenhum abalo sísmico ocorreu ao menos até às 4h00 desta madrugada em território brasileiro. O terremoto mais recente registrado pela plataforma ocorreu no Alasca (EUA), a 154km ao sul-sudoeste de Akhiok, às 23h59 de ontem (quinta-feira), com tremores que atingiram magnitude 5.8, a 9km de profundidade.
Alguns sites de notícias especulavam, já na madrugada, que o alerta pode ter ocorrido por causa de um ataque hacker ou que teria sido um erro no sistema de aviso do Android. Embora alguns internautas tenham relatado que o alerta já havia sido excluído do Google, até às 4h15 o aviso ainda permanecia no ar.




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