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Naturistas querem oficializar praia de Ubatuba (SP) para a prática do naturismo

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TEXTO E FOTOS: REGINALDO PUPO

Naturistas de diversas partes do país durante prática da modalidade na Praia Mansa, em Ubatuba | Fotos Reginaldo Pupo/Travel for Life

Ubatuba (SP) – O casal de turistas Lídia Wilhelm e Henry Rodrigues apreciava às vésperas do feriado prolongado de 1º de maio, as belas paisagens da praia Mansa, em Ubatuba, no litoral norte paulista, quando, de repente, levaram um susto.

Enquanto a aposentada e o comerciante caminhavam no canto esquerdo da faixa de areia, do nada, entre 20 a 30 pessoas começaram a tirar as roupas para ficarem totalmente nuas para mergulhar nas águas cristalinas da praia.

Algumas delas permaneceram debaixo de árvores para se proteger do sol. Outras foram até a água para dar um mergulho, sob olhares curiosos de dezenas de frequentadores. Havia homens, mulheres e casais de todas as idades.

O que Lídia e Henry não sabiam é que estavam diante da praia escolhida por naturistas de várias regiões do país que pretendem oficializá-la para a prática do naturismo, já que, segundo associações paulistas e brasileiras que representam esse estilo de vida, não existe nenhuma praia oficial no estado de São Paulo, embora seja a região onde há o maior número de naturistas no país. As associações que os representam estimam em cerca de 20 mil naturistas em São Paulo, que precisam viajar ao Nordeste, Rio de Janeiro e para o Sul do país para prática desse estilo de vida.

Foi o quinto fim de semana consecutivo que o grupo de naturistas frequentou a praia Mansa, como forma de conscientizar os banhistas sobre a intenção de oficializá-la. Durante esses dias, um verdadeiro esquema de vigília foi montado na trilha que dá acesso à praia, para que os naturistas fossem avisados da chegada de turistas, para, então, todos colocarem novamente suas roupas de banho.

“Faz parte do plano de conscientização mostrar que em outras regiões do país, o naturismo auxilia no fomento do turismo, movimenta hotéis, pousadas e restaurantes e pode ser uma atração a mais para o município de Ubatuba, que sofre com a sazonalidade pós-temporada”, explica Éder da Silva Ferreira, comerciante de Ubatuba que encabeça o movimento na cidade e é membro de associações de naturismo.

Hostilidade

No último fim de semana prolongado, devido à grande presença de banhistas e de lanchas na praia, os naturistas conversaram com os turistas antes de se despirem. Alguns banhistas desaprovaram a atitude dos naturistas, que foram recebidos com hostilidade, mas, segundo os naturistas, a maioria das pessoas presentes consentiu com a prática. Mulheres, homens e casais, então, passaram a circular no canto esquerdo da praia.

Projeto de lei que institui a praia como oficial para naturista chegou a ser a elaborado, mas logo foi retirado de tramitação, devido à pressão popular

Um grupo de turistas que estava em uma lancha discutiu com os naturistas e ameaçou chamar a polícia. Havia ao menos 12 embarcações na praia no período da manhã. A maioria dos ocupantes dos barcos registrou a cena por meio de fotos.

“Não vejo nenhum problema no fato deles (naturistas) ficarem pelados na praia. O Brasil tem tantos problemas e algumas pessoas querem se preocupar com isso?”, questionou Lídia, a aposentada que caminhava com seu marido na praia.

A psicóloga Lenina Disney, 26, de Taubaté (SP), foi avisada por banhistas de que no canto da praia havia “um bando de gente pelada”, e que era para ela tomar cuidado, caso estivesse com crianças. O que os banhistas não sabiam era que Lenina era uma das naturistas que estava indo ao encontro dos demais praticantes. Ela e o marido chegaram no canto esquerdo, tiraram as roupas, e caminharam para o mar.

O mecânico marítimo Marcos Roberto Gudo foi um dos banhistas que reprovaram a ocupação dos naturistas. “Não sou contra, mas caso a praia seja oficializada, não poderei mais frequentá-la?”.  Ele afirmou que frequenta a praia há mais de 30 anos e que, na temporada, o lugar recebe mais de 50 barcos por fim de semana.

Alguns banhistas desaprovaram a atitude dos naturistas, que foram recebidos com hostilidade, Situação semelhante já ocorreu em outras praias da região

Mobilização

“Iniciamos um trabalho de mobilização bem maior do que as tentativas anteriores de se oficializar alguma praia no litoral paulista para a prática do naturismo, como já aconteceu com a praia Brava, em São Sebastião, e a Desertinha, em Perúibe”, afirma Ferreira.

Em 2013, a Federação Brasileira de Naturismo iniciou um lobby para transformar a praia Brava, em Boiçucanga (São Sebastião), em local destino a naturistas. A ofensiva sofreu retaliações de moradores e turistas, que expulsaram os naturistas do local. Na década de 90, um projeto de lei que previa a transformação da praia da Caveira, em Ilhabela, também não foi adiante.

Em Ubatuba, projeto de lei neste sentido chegou a ser a elaborado no início deste ano, mas logo foi retirado de tramitação, devido à pressão popular.

Tambaba, na Paraíba, foi a primeira praia brasileira a autorizar oficialmente que os frequentadores tirassem a roupa. Em Santa Cataria, há três praias do tipo: Pedras Altas (Palhoça), Galheta (Florianópolis) e Praia do Pinho (Balneário Camboriú). O Rio de Janeiro tem duas áreas para a prática do naturismo: Olho de Boi (Búzios) e Praia do Abricó (Rio). As outras ficam no Espírito Santo – Barra Seca (Linhares) – e Bahia – Massarandupió (Entre Rios).

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